quarta-feira, 5 de maio de 2010

O poder da mente

Não tem muito a ver com a proposta do blog, mas enfim, tem a ver com experiências que podem agregar muito em nossas vidas como parte de um universo....de um todo...que Deus idealizou e formou.

Quem estudou o organismo humano e seus vários sistemas, sabe da complexidade e da grandeza que compõe nosso corpo e nossas ações. O cérebro, suas vias, áreas e funções que decodificam várias das nossas intenções e ações sempre me fascinou como fonoaudiólogo, também pela complexidade e plasticidade que existe em suas características funcionais. Porém, o que me intriga mais é saber que apesar dos avanços feitos pela neurofisiologia, ainda há muitos mistérios contidos na fisiologia e nas demais áreas de estudo do cérebro, que ainda não foram desvendados pela ciência. Isso de fato nos leva a entender que Deus é um ser superior e só através desta mente/ser superior, é que poderíamos ser gerados e idealizados.

Este é um vídeo sobre a experiência de uma cientista na área de Neurologia: Jill Bolte Taylor, que teve uma oportunidade de pesquisa que poucos cientistas cerebrais desejariam: ela sofreu um grave derrame, e observa enquanto suas funções de movimento, fala e autoconsciência entram em falência, uma a uma. Uma história incrível.

Para visualizar a legenda em português, selecione abaixo do vídeo o subtitle "Portuguese (Brazil)".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

SAUDADES DA PAROUSIA DE CRISTO NAS MÚSICAS

Como é importante as lembraças daqueles que compartilharam contigo partes importantes não só da sua história mas da sua formação e crescimento....Eis aqui um relato de meu velho irmão de jornada e de sangue...do qual agora se encontra no Seminário Batista do Sul (Rio de Janeiro), obedecendo sua vocação perante aquele que é galardoador daqueles que o obedecem. Apesar de grande respaldo como músico, agora também se vê a passos largos o seu crescimento como ministro da palavra. Aqui ele fala um pouco sobre suas primeiras motivações e uma breve introdução pelos seus caminhos na música:


Lembro-me ainda jovem com uma vassoura na mão imitando os artistas da época, no meu caso nada de extraordinário, quem nunca usou os utensílios domésticos para, com os primos e amigos, montar uma banda imaginária? Comigo foi assim no início, não havia um artista específico, apenas vassouras, panelas, baldes e uma gritaria insana nas tardes de sábado. No domingo pela manhã, quando éramos conduzidos à EBD, víamos um bom grupo de louvor na Igreja Batista Central de Goiânia. Não entendíamos nada de música, apenas gostávamos de ouvir. Eram agradáveis essas manhãs, os músicos ali próximos, os instrumentos também e, as letras, lenta e poderosamente, adentrando nossas mentes com força titânica.




Anos se passaram e minha relação com a igreja se desfez ainda na infância, embora tal separação nunca tenha sido por completo desfeita, nesse ínterim, ainda muito cedo na idade – digamos que lá pelos 8 ou 9 anos – ouvi a arrebatadora introdução de baixo de Steve Harris, a música é The Claivoyant, o álbum era The Real Live One, deixei meu interesse pelos instrumentos “ditos” de “solo” – mesmo que nas vassouras - , voltei-me definitivamente para o contra-baixo, foi ali amor à primeira audição. Daí por diante o rock’n roll, mais especificamente o heavy metal entrou em minha vida para nunca mais sair. Aprendi a ler as letras em inglês e, mesmo precariamente, traduzi minhas favoritas.


Eram letras com uma realidade triste, imediatista, vazia, em várias havia apologia à morte ou demonologia, dinheiro, mulheres. Tal abordagem nunca me atraiu. Meu fascínio sempre foi pela potência emanada dos acordes, a fúria dos riffs, o “peso” das levadas e conduções rítmicas, porém, quanto às letras, as letras que me inebriavam, e ainda inebriam, são aquelas do saudoso grupo de louvor de minha infância. Lá havia esperança nas letras, expectativa em uma vida melhor com Cristo, senão houvesse melhora nesse plano terreno, haveria no plano futuro, quem sabe na segunda vinda de Jesus Cristo.




Segunda vinda de Cristo, Segundo Advento ou Parusia (grego transliterado=parousia, com o significado imediato e simples de "presença") é termo usualmente empregado com a significação religiosa de "volta gloriosa de Jesus Cristo, no final dos tempos, para presidir o Juízo Final", conforme crêem as várias religiões cristãs e muçulmanas, inclusive sincréticas e esotéricas.





As especificidades sobre o tema são definidas individualmente por cada religião ou expressão religiosa, conforme a sua crença, com pontos semelhantes e não tão semelhantes.

Os louvores me causavam verdadeiro torpor, no melhor sentido da analogia, pela expectativa do que haveria de vir, pena termos esquecido isso. Ainda na adolescência fui demonizado na igreja por escutar e deleitar-me com o bom e velho heavy metal. Coisa do Capeta, ouvindo coisas do diabo, torna-se como o próprio diabo. O diabo fez o rock n’ roll. Esses e outros infindos comentários foram ditos para tentar me tirar dos caminhos do metal. Coisas vãs foram ditas, infelizmente tais irmãos se apossaram da vontade e voz divinas para apoiar seus próprios pontos de vista. Enquanto isso, a igreja, de uma forma bem generalizada, esqueceu-se de manter seus olhos na “parousia” de Cristo e tornou-se tão imediatista e nefasta como as letras “metaleiras” que ela tanto demonizou.




Hoje meu intuito não é apresentar meu olhar teológico sobre a igreja brasileira, doente e moribunda à mercê dos imediatismos doutrinários, meu intuito é mostrar uma das músicas que mais me emocionam e emocionaram até hoje. Em minha opinião uma obra-prima que une a maestria agressiva dos acordes e riffs do heavy metal, bem como a transcendência cristã, a verdadeira parousia dos meus encantados tempos de infância. Aqui sou saudoso de dias em que a igreja não se importava com sua própria necessidade, mas com a necessidade do próximo. Saudoso dos dias em que havia paixão e prazer em tocar nas igrejas e comunidades locais, e não se um lugar ao sol nos emaranhados de gravadoras e protótipos evangélicos. Saudoso da musica congregacional que limitava sua ação ao amor e adoração com sua comunidade, sem intenção de crescimento, prosperidade, exaltação e reconhecimento, apenas adoração com um coração sincero e esperançoso no dia em que Cristo finalmente voltará. Aqui ficam meus Brados e oração de “VIDA LONGA À SCEPTRUM”, bons amigos e irmãos de caminhada, continuem trazendo esperança na parousia de Cristo e na salvação que emana “SOMENTE EM DEUS”.











Thiago Barbosa

quinta-feira, 15 de abril de 2010



Por Michael Frye

Muitos líderes de louvor lideram usando este divino instrumento, o violão acústico. Muitas equipes de louvor recebem bem o som de um violão na sua mistura, pois ele traz consigo um elemento rítmico e caloroso na experiência de adoração musical.

Aqui estão algumas dicas que eu selecionei nestes mais de 25 anos que eu toco violão ( Eu comecei cedo!):

Escolha sua palheta com sabedoria. Encontre a palheta correta (plectrum) para seu violão. Pergunte a outros que tocam melhor que você. Você vai se surpreender com a diferença de volume e timbre que uma palheta correta pode dar.

Corte as unhas. Mantenha suas unhas da mão esquerda sempre curtas ( ou mão direita, se você toca com a mão esquerda), e você vai perceber que é muito mais fácil tocar claramente os acordes.

Toque bem, dentro de suas habilidades. Quando você está liderando louvor com seu violão, toque bem, dentro de seus limites. Não tente aquele “acorde novo” até você ficar a vontade com ele, e você possa tocá-lo sem pensar nele. Tocando 75% de sua habilidade, ao invés de se contorcer para alcançar os 100% , a visão geral de sua qualidade musical vai ser maior, mais consistente e você se sentirá mais confiante.

Melhore sua noção de tempo. Para melhorar seu timing e técnicas de levadas, toque junto com um cd, bateria eletrônica e/ou metrônomo. Tocar com outras pessoas que são melhores que você também é uma forma muito boa de desenvolver suas habilidades.

Use o capo, que é uma ótima ferramenta. Evitando os acordes “armadilha”: uma música com os acordes Eb, Ab, Bb e Cm é um tanto complicada de se tocar no violão. Ponha o capo no 1º fret, e você pode fazer os acordes D, G, A e Bm, ou coloque o “capo” no 3º fret e você pode tocar com os acordes C, F, G e Am. Mudando o tom de uma música: não entre em pânico se você precisar mudar o tom de uma música. Apenas uso o “capo” e você será capaz de tocar a mesma sequência de acordes ( a não ser que você tenha que abaixar o tom, que neste caso, você terá que tocar acordes diferentes).

Mudando a sensação da música: toda forma de acorde tem um som único e um relacionamento único com outros acordes. Tente tocar uma música em E com o “capo” no 2º fret, e toque com os acorede de D. Ou toque uma música em G com o “capo” no 3º fret, e use os acordes em E. Se você tiver 2 violões tocando juntos, fica muito bom se cada um tocar acorde de formas diferentes, com um de vocês usando o “capo”.

Escolhendo o “capo”. O Kyser Quick-Change capo é uma escolha popular, pois ele pode ficar preso no fim do seu violão quando você não estiver usando. Se você achar que seu violão desafina quando você usa o Kyser tente o Shubb capo, já que ele é mais ajustável e mais acurado. Se ainda assim soar desafinado, vocé deverá ir a uma loja de violões e pedir que o ajudem – ou comprar um violão melhor!

O truque da troca de picking/strumming. Se eu quero dedilhar e fazer uma batida em uma única música, eu tenho um pequeno truque que eu uso. Segure a palheta entre seu indicador e dedo médio, mais ou menos no meio. Então você deverá ser capaz de dedilhar e segurar a palheta sem derrubá-la. Quando você quiser mudar tocando mais ritmado, você põe o seu polegar na palheta, levanta seu dedo indicador e usa seu indicador para escorregar a palheta para a posição de tocar. Com alguma prática você pode ficar muito ágil nisso. Você também pode trocar para o dedilhado usando o processo inverso.

Afinadores . Invista em um afinador de palco que você possa usar enquanto estiver tocando. Aprenda a afinar olhando tão bem quanto de ouvido. Se o afinador tiver um “bypass” e/ou a função “mute”, ainda melhor. Você pode afinar silenciosamente e plugar e desplugar seu violão (para economizar baterias) sem chatear o responsável pelo som (e destruir os ouvidos de outras pessoas).

Efeitos. Eu normalmente uso um pouco de reverb em meu violão, e uso o delay de vez em quando. Também uso o chorus, mas a chave é ser sútil.

Tocando com uma banda. Toque menos quando estiver tocando com uma banda! Melhore o som dos acordes. Fique atento aos baixos dos acordes e comece sua batida daí. (importante: não use sempre as 6 cordas) . Se você está tocando um acorde A e a nota baixa é a corda A (2º de baixo pra cima) - você deverá evitar tocar a corda E.

Michael Frye, junto com sua esposa Helen, lidera adoração na Taunton Vineyard no Reino Unido. Ele é autor da música “Seja o centro”, e tem tocado violão em várias gravações da Vineyard Music UK. Mike está atualmente desenvolvendo um projeto para encorajar pessoas à criatividade musical através do aprendizado de um instrumento, composição, gravação e apresentação.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Se eu pudesse imaginar...

Música...fenômeno que transcende os limites de nossa imaginação, melhor... ela de fato é a extensão do nosso imaginário, a nota que ecoa através de nossos anseios...a expressão máxima de nossos sentimentos...os gemidos que são expremidos do nosso âmago....
Música, música...sobrenatural, desafia os limites da nossa fé, exprime algo que talvez não ousaríamos almeijar...
É esta arte que ultrapassa os seus limites? Do natural passa para o físico, sobrenatural, se tornando intocável aos seres naturais, a partir do momento que se ecoa no ar e espaço...
Sendo tocada pode ser administrada, à princípio tangível, para depois não o ser mais, passa a fazer parte do todo. Parte do individual rumo ao coletivo e a partir daí segue seu fluxo ao eterno.
De fato, música...tem o carisma de encantar, cativar os corações....
Se eu pudesse imaginar, não faria de outra maneira, senão cantar...e talvez a música faria o resto por mim...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Perda auditiva induzida por "Música"?




Como vimos anteriormente, ruído não é somente todo e qualquer som indesejado em alta intensidade com risco de causar danos à saúde auditiva.
Também é todo e qualquer som "desejado" em alta intensidade com probabilidade de causar a perda auditiva ao indivíduo a ele exposto sistematicamente. Nesse caso, a música ou o estímulo sonoro musical se inclui!!! Pior para nós músicos...ao saber q não estamos imunes a tal moléstia...

Primeiro vamos saber qual os três tipos de perda que podem ser causadas pelo ruído em excesso....

PERDA AUDITIVA TEMPORÁRIA (TTS): Ocorre quando o indivíduo é exposto a ruído intenso mesmo que por pouco tempo, e faz com que o limiar auditivo sofra alteração. Essa redução é temporária, e a audição volta ao normal após um período de repouso auditivo.

TRAUMA ACÚSTICO: É considerado como uma perda auditiva repentina,quando ocorre uma única exposição de ruído de impacto como explosões. Pode ser irreversível ou não, dependendo da sobrecarga neurossensorial decorrente dos níveis de pressão sonora.

PERDA AUDITIVA PERMANENTE (PAIR, PAIM OU atualmente convencionada PAINPSE): É decorrente da exposição a ruídos de alta intensidade por longos períodos. É irreversível, pois há destruição de células auditivas.

Como se observa a irreversibilidade da lesão não se deve somente a intensidade dos níveis de pressão sonora, mas também ao tempo de exposição a este estímulo sonoro elevado. Desta forma vemos uma tabela que auxilia muito na correlação entre as intensidades e o tempo máximo de exposição, presentes na NR-15, norma regulamentadora do Ministério de Trabalho que prevê os limites de tolerância para níveis de pressão sonora em cargos insalubres:


Então qual a melhor forma de se prevenir?

Simples, tentar evitar ao máximo exposições à niveis de pressão sonora elevados por períodos que apresentem risco à audição, porém, isso é possível?

Acredito que sim. Tenho mais de 10 anos de experiência ligada intimamente à música: ensaiando, tocando e cantando....e meus limiares auditivos ainda estão na normalidade, pelo menos na última vez em que me submeti à audiometria...

Deixo aqui minhas dicas práticas para vc manter sua audição intacta sem deixar de desfrutar dos prazeres que a música nos oferece.

1- Use protetores auriculares

Existem hoje no mercado diferentes tipos de protetores auditivos...desde os intra-auriculares, normalmente de silicone, até os famosos abafadores tipo phone. São de diversos modelos e materiais, atenuando desde 8 dB até 40 dB aproximadamente dependendo do tipo, modelo e material. Sinceramente não sou adepto do uso de protetores no meio musical, porque pra mim eles tiram a sensibilidade auditiva e interferem na minha acuidade auditiva para perceber as nuances da música. Porém conheço muitos músicos que usam em ensaios e até mesmo em shows sem problemas...principalmente bateristas, uma vez que em ensaios, eles priorizam mais a coordenação de movimentos do que as harmonias.


















2- Diminua o volume e se guarde para as apresentações e shows

Durante os ensaios, você não precisa tocar com volume o suficiente como se fosse para centenas ou milhares de pessoas!!!! O ensaio é o momento onde é passado os arranjos das canções, onde é priorizado a dinâmica e a interação da banda, onde são reparadas as "arestas" das músicas. Diminua o volume geral da banda de tal forma que todos os instrumentos sejam ouvidos e sejam equilibrados. Se guarde para o show...lá sim, dependendo do espaço e da estrutura você com certeza precisará de mais pressão sonora para realizar a apresentação, no entanto é necessário ter bom senso...aí entra a terceira dica.

3- Reveja o tipo de equipamento q vc utiliza tanto nos shows qto nos ensaios

Quem presenciou os anos 70, 80 e começo dos anos 90 sabe do que eu estou falando....paredes e paredes de amplificadores, jogando quilos e quilos de pressão sonora!!!! Aquilo é rocknroll!!!!! Ou melhor...era...Com a medida do tempo em que se foi vendo as consequências das atitudes desmedidas do passado, a indústria da musica procurou rever seus conceitos e aprender com os seus erros...No tópico anterior vimos o audiograma do guitarrista do Mr. Big, Paul Gilbert. Isso se deu após shows e mais shows frente a aquela parede de amplificadores. Com certeza olhando hoje, relamente era uma atitude desnecessária. Hoje vemos como mudou a ótica dos equipamentos e suas disposições e localizações nos palcos. Para ambientes menores aplificadores menores e para ambientes maiores, amplificadores de estatura compatível para o local. No caso de grandes lugares para shows e apresentações como ginásios e estádios, deixa-se o trabalho de propagação do som para os P.A´s. O amplificador no caso será responsável somente por dar o feedback e gerar o timbre do instrumento ao gosto do músico e dos técnicos. Com um bom conjunto de microfonação profissional, o som do amplificador será reproduzido pelos P.A´s sendo eles os responsáveis por projetar todo o som para o restante do local. Pouco se vê hoje em dia paredes e paredes de amplificadores...visualmente pode até ser diferente, portanto, no aspecto funcional auditivo, pouca é a diferença, senão nenhuma, portanto o resultado acaba sendo o mesmo.




4- Guarde o repouso auditivo e sensibilize a sua audição

É importante guardar o repouso auditivo nos momentos em que vc não estiver tocando. O repouso auditivo é o momento no qual vc se isenta de ouvir sons em alta intensidade, se permitindo o silêncio por algumas horas. O repouso auditivo indicado para a realização da audiometria é de 14 horas, portanto, depois de um show ou apresentação, procure tirar um repouso auditivo por este período pelo menos para que as estruturas internas do ouvido possam se reestabelecer do processo de fadiga, evitando posteriores lesões. Músico sempre gosta de ouvir música em alto volume por uma cultura adquirida de forma errada. Tudo tem o seu momento...fora das apresentações e shows, ouça sempre som em volume agradável e de preferência sem fones de ouvido, principalmente aqueles de inserção!!!! Qto mais interno for o fone de ouvido, mais forte será o impacto sonoro na cóclea. Ouvindo música pelas caixas de som e em volume médio você estará sensibilizando sua audição, criando um hábito saudável e evitando lesões posteriores.

Com essas dicas vemos que podemos manter a nossa saúde e qualidade de vida sem perder a atitude!!!!

Diogo Barbosa e Silva.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O mecanismo da Audição - Importante para o músico?

Em meu cotidiano, me deparo com diversos tipos de patologias, afecções e alterações que envolvem a comunicação do ser em um ou vários aspectos. No meu caso, como me especializei em audiologia clínica, nada mais natural me identificar no dia a dia com diferentes tipos de transtornos no âmbito da audição.

Na verdade há muito mais em comum entre a audiologia clínica e a música do que realmente as pessoas imaginam. Para ser franco, a música me direcionou primeiramente para a fonoaudiologia e em seguida para a especificidade em audiologia dentro desta graduação.

Aos 17 anos me submeti ao famigerado teste vocacional, pouco antes de prestar o vestibular. Confesso que ainda estava confuso com relação à minha futura profissão. Estranhei a princípio, mas após as primeiras sessões, as coisas iam se esclarecendo e tomando forma por si só, até chegar de fato às minhas inclinações vocacionais.

Graças às minhas aptidões musicais, pude compreender melhor os objetos de estudo compreendidos na fonoaudiologia como ciência, tais como: a linguagem como forma de expressão e conteúdo, o aparelho fonador, a laringe e todas suas estruturas, os aspectos físicos do som, freqüência fundamental, espectros sonoros e outros mais.

Mas o assunto em questão é algo que me fascina a cada dia de trabalho: A audição.

A audição é algo essencial ao ser humano, é o meio mais natural e direto de recepção através do som, pois sem ela não podemos adquirir ou abstrair informações para a construção de tudo que somos e representamos como pessoas, quanto mais para a nossa comunicação como indivíduos de uma sociedade amplamente interativa.

O ouvido é um órgão receptivo totalmente sensorial, ou seja, ele interage e “responde” mediante aos diferentes estímulos sonoros existentes. Ele se divide em basicamente 3 partes: Orelha externa, orelha média e orelha interna. A orelha externa compreende desde o pavilhão auricular até a membrana timpânica. A orelha média parte da membrana timpânica até a entrada do estribo (último dos 3 ossículos) na janela oval. A orelha interna compreende desde a cóclea até o córtex auditivo situado no lobo temporal.



O importante é salientar que a nossa audição pode ser acometida de diversas afecções e doenças, desde uma simples infecção de ouvido até um neurinoma do acústico, um tipo de tumor que acomete o nervo vestíbulo-coclear ou auditivo.

O percurso da passagem do estímulo sonoro é o mais fascinante, pois ao momento que o som percorre as 3 orelhas, há transformações peculiares à localização dos órgãos que são responsáveis pela transdução do som.

Ao passar pelas orelhas externa e média, a transdução do som é feita através de sistemas mecânicos, com mecanismos de alavanca, amplificando o som desde a sua entrada no conduto auditivo externo até o final do estribo em até 21 vezes, correspondendo a mais ou menos uns 60 dB de amplificação natural.

Na orelha interna, ao adentrar pela janela oval, o som percorre pela cóclea, um importante órgão sensorial da audição, que através da movimentação das células ciliadas externas, desencadeiam a bomba de sódio-potássio, despolarizando estas células e enviando já em forma de impulso elétrico-nervoso através das células ciliadas internas a informação pelo nervo auditivo até ao córtex auditivo, responsável pela recepção de todas as informações sensoriais auditivas.



Este fenômeno que ocorre durante o percurso da onda viajante pela cóclea se chama “Mecanismo Eletrobiomecânico” da Cóclea.

A perda auditiva mais comum, consiste na devastação das células ciliadas externas, responsáveis por fazer a transdução da forma mecânica em estímulos nervosos, localizada na cóclea. A etiologia ou causa mais comum e recorrente dessas “devastações” se dá pelo excesso de exposição ao ruído elevado em um determinado ambiente.

Ruído não se limita somente à um determinado som indesejado. Ele se classifica como toda e qualquer forma de estímulo sonoro em alta intensidade que apresente riscos à saúde auditiva mediante exposição prolongada e sistemática.

Vários músicos e artistas já foram acometidos por esta patologia pela longa exposição aos sons altos emitidos nos shows ao longo de anos e anos de carreira. O cantor Rod Stewart e o guitar hero Paul Gilbert são alguns desses que hoje defendem a prevenção da PAINPSE (Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados), pois, uma vez que se perde, esta lesão se torna irreversível.

Audiograma do guitarrista Paul Gilbert (observe o entalhe em agudos):



Portanto tome cuidado com a sua audição, como dizia o poeta Décio Pignatari:

"O ouvido não tem pálpebras"

Em breve discutiremos o que podemos fazer para prevenir a perda auditiva induzida por ruído ou música, no nosso caso...

Até mais moçada...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Contextualidade de uma boa música - Relembrando os velhos tempos...

Como é doce a infância...Que eu me lembre, a primeira canção que escutei foi "Lobo Mal" do Fruto Sagrado. Era meados de 1993 e eu estava passando a tarde na casa das minhas tias. Elas já conheciam a Cristo nessa época, eu e meu irmão ouvíamos falar de tal Cristo...bom e distante. Na verdade não distinguia muito bem na época o que era Deus e o que era Jesus...seus papéis se misturavam em minha cabeça.

Mas enfim, nesta tarde não muito diferente das outras, tia Walkíria nos evangelizava de forma bem contextualizada e atual, dizendo que ser crente não é ser careta. Foi na estante e pegou o Long Play (LP - não existia CD ainda...rs) do Fruto Sagrado entitulado "Na contramão do sistema". A capa era um menino na faixa dos seus 13 anos, com uma guitarra na mão, boné virado, óculos escuros e allstar sujos nos pés. Aquilo era pra mim!!! E com certeza foi crucial para formação do músico/cristão que hoje sou!

Tia Walquíria colocou esse LP no toca discos e a primeira música que saiu foi "Lobo Mal":

"Lobo, na pele de cordeiro é lobo mal
Lobo, na pele de cordeiro não ...yé...
Usa terno e gravata, parece até o que não é
Consciência cauterizada, coração petrificado
Queimando o filme atrapalhando o trabalho
dos verdadeiros homens de Deus, dos verdadeiros homens de Deus
Garras afiadas, tudo oque eles querem é teatro perfeito, histeria total
Meias verdades tudo enganação, tome cuidado com o Lobo Mal...

Os seus dias estão contados, sua sentença assinada
Não tem pra onde fugir, não tem pra onde correr
Com dinheiro dos inocentes pensou ter construído o seu próprio céu
Com as almas dos inocentes ele garantiu o seu lugar no Inferno Palace Hotel!!!"







Agora outra mais recente, do álbum "Distorção":


"Nessas horas que eu me lembro
Que o sofrimento é um megafone
É Deus pra mim gritando que eu não sou o super-homem
Que eu sou de carne e osso que eu vou passar sufoco
Vou fazer o quê? Não vou esconder meu choro
Às vezes é mais fácil fingir, eu sei
Fazer de conta que tá tudo bem que tá tudo zen
Disfarçar que não tem nada dando errado
Mas eu não sou o superman

Se não fosse por Você eu jogava a toalha
Tenho visto tanta coisa errada nesta estrada
Muito falso herói se achando o tal
Iludido com aplausos, elogios... com o pedestal
Até eu já vacilei, dei bobeira, viajei
Esqueci que levo tombo como qualquer um
Esqueci que levo tombo, esqueci que sou normal
Alguém aqui é normal?

Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém
Eu sou igual a todo mundo
Não existe superman

Eu vou insistir em Te acompanhar
Haja o que houver, acredite quem quiser
Mesmo tropeçando eu tô aprendendo
Tô descobrindo que pra tudo existe um tempo
Por isso eu tô na luta, tô sobrevivendo
São nessas horas que eu me lembro
Que às vezes eu machuco, às vezes me machuco
Explodindo por fora, explodindo por dentro
Mas eu tô aprendendo, tô aprendendo

Agora eu tô sabendo
Que o sofrimento é um megafone
É Deus pra mim gritando que eu não sou super-homem
Que eu sou de carne e osso que eu vou passar sufoco
Agora eu não esquento não vou esconder meu choro
Afinal eu sou um cara comum
Que também leva tombo como qualquer um
Que tropeça, levanta mas não sai da dança
Tropeça, levanta e não sai da dança

Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém
Eu sou igual a todo mundo...

Às vezes é mais fácil
Fazer de conta que tá tudo bem
Mas você sabe que eu não sou o superman

Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém
Eu sou igual a todo mundo
Não existe superman"






Que contexto! Brilhante...atual...cru...Uma pancada nos miolos! Tem como ser mais evangelístico do que isso?

Apesar de "Lobo Mal" ser feita há 17 anos atrás e "Superman" ser feita há 4 anos no máximo, pode-se evidenciar hoje as mesmas verdades ditas nas duas letras dessas músicas. Essa informação me alicerçou nas verdades sagradas que hoje tento seguir e guardar em meu coração.

Estou dizendo isso para alertá-los de que não existe fórmulas, rótulos para adoração através da música.

A verdadeira adoração simplesmente nos abre os olhos de quem somos e de quem Deus é, nos dando uma consciência de reconhecimento de Cristo (Rm 12:2 - "Transformaivos pela renovação da vossa mente").

Reconhecer não é simplesmente saber que ele existe, não é dizer que Ele (Jesus) é um cara legal...

Seu carro quebra no meio da rua. Você olha para um lado e vê um distinto senhor, cabelos grisalhos, terno fino, jaleco branco por cima. Um médico. você olha para outro lado e vê um senhor sujo, macacão imundo e esfarrapado, mãos sujas de graxa. Um mecânico. Qual dos dois são aptos a resolver seu problema? Creio que é o mecânico, não é mesmo? Toda a formação do médico não o ajudaria em nada nessa hora.

Portanto, reconhecer a Cristo é saber que Ele é o único que pode resolver seus problemas, aliás, Ele veio aqui unicamente e exclusivamente com esse objetivo. Resolver um "problemão" para nós. Nos livrar de uma condenação que estava previamente declarada.

Abra sua mente, não se tolha a rótulos e estereótipos com relação a formas de louvor e adoração. Experimente coisas diferentes, fatos que tenham conteúdo e que fale principalmente coisas que te instiguem a pensar, confrontando seu modo de racionalizar Deus.

As letras de uma canção de adoração se tornam atemporais quando o fazemos inspirados em Deus. A eternidade do Pai é representada na atualidade dos contextos em que se moldam as letras de uma boa música cristã.

Diogo Barbosa.